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Um dia a casa vem abaixo

Só 255 caracteres?! Isso não dá para nada!! Bem, o melhor será ir passando por aqui. Assim ficará a entender melhor o que é. Obrigada pela visita. Tenha um dia feliz!

Um dia a casa vem abaixo

Só 255 caracteres?! Isso não dá para nada!! Bem, o melhor será ir passando por aqui. Assim ficará a entender melhor o que é. Obrigada pela visita. Tenha um dia feliz!

A dura realidade dos dias

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No comboio agarrada ao mundo das letras numa entrevista a um dos mais promissores escritores de língua lusófona, Kalaf Epalanga.

A cada palavra, a cada frase, a cada sentimento de um texto fervoroso. Ali é a sua casa. Ali vai voltar.

Chega ao metro. “Espero que não venho muito cheio. Não quero deixá-lo já.” Entre um aconchego de uma mochila e uma tentativa de equilíbrio o braço grita vitorioso diante dos olhos. Mais umas palavras. “Próxima paragem, Marquês de Pombal”. Sai. Arrumado debaixo do braço, as pernas tentam acompanhar a corrente que a empurra. Sobe Maria sobe… as escadas que a levam ao mundo que não quer.

O coração bate acelerado não no êxtase da emoção feliz mas na amargura do intervalo penoso do dia que há que cumprir.

Os números vão dar lugar às letras. O telefone que toca. O e-mail que chega. O pedido do colega. O almoço tráz o riso fácil e a escapadinha necessária de oxigénio à livraria mais próxima. Sai para a rua e sente o sol na cara gelada pelo vento.

A agitação própria da época que se vive pinta a rua de vermelho e branco trazendo o brilho aos rostos encolhidos pela chuva e pelo frio. Desce a rua em passo fugaz. Levada pela alegria de chegar, entra. E tudo à sua volta para. Embrenhada no silêncio das páginas volta a encher os pulmões num momento sôfrego, quase aflitivo. O mundo voltou a girar. O ar volta a fluir. A cada passo um novo livro para ver. “De quem será? Como chegaste aqui? O que vais fazer a seguir?” as perguntas amontoam-se numa mente a trabalhar um plano já cumprido. Queria perdurar aquele momento. Congela-lo, se possível. Mas a dura realidade da hora fá-la voltar.

A tarde cumpre-se a um ritmo lento apesar do trabalho que não para de chegar. A pausa para o café, a conversa de circunstância. O desabafo do colega.

A marcha volta a tomar conta das pernas na busca de um lugar no comboio. Sentada junto a um corpo cansado de um dia pesado, mas de um almoço bem regado, abafa o odor junto ao lenço que trás ao pescoço. Assim, respirando de si deixa-se levar num suave embalar da cadencia da máquina. As palavras voltam a encher o coração.

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